Magia negra cristã
A Bíblia e a lei da equivalência
“a rebelião é
como a feitiçaria e o porfiar, como a idolatria”
Qual a essência
da magia negra senão esses sentimentos de ódio, vingança e egoísmo, que a
motivam? Sendo assim, a magia negra pode ser praticada, e de fato tem sido
praticada, mesmo dentro de uma igreja cristã, em nome do Senhor, conquanto Deus
nada tenha com isso, sempre que alguém, por motivos egoístas e movidos por
sentimentos de ódio e vingança tenta instrumentalizar forças espirituais, ritos
e preces, para promover o mal, embora a essa forma de magia negra chame de “Justiça
Divina”.
Certa
vez fiquei chocado quando, ao participar de uma cerimônia religiosa numa igreja
cristã em Recife, Pernambuco, ouvi cristãos dando depoimentos nos quais
afirmavam que haviam pedido a Deus que tomasse “providência” acerca de pessoas
que lhes teriam feito algum mal, e Deus, em resposta às suas orações, teria
matado tais pessoas. A platéia que ouvia tais depoimentos, eufórica,
glorificava a Deus, em sinal de aprovação. A princípio, imaginei que se tratava
de um caso isolado que dizia respeito apenas àquela comunidade. Contudo, para a
minha surpresa, ouvi inúmeras vezes em outras igrejas cristãs depoimentos
semelhantes. Era comum à época e ainda é hoje, no seio de certas comunidades
cristãs, o dito: “quem mexe com crente ou
se converte, ou se muda, ou Jeová mata”. A título de exemplo, é só assistir
o vídeo no qual o Pastor e Deputado Federal Marcos Feliciano afirma que Deus matou John Lennon com três tiros e que
se ele estivesse lá diria que um dos tiros foi em nome do Pai, o outro em nome
do Filho e o outro em nome do Espírito Santo2.
Em que os
sentimentos que motivam tais cristãos, ódio,
vingança e egoísmo; diferem daqueles que motivam pessoas de religiões criticadas
por alguns deles, como aquelas de matriz africana e ocultistas, que segundo dizem
alguns deles, realizam cerimônias religiosas para imprimir castigo (complicações,
doença e morte) aos seus opositores?
Certos cristãos
criticam religiões de matriz africana, espiritualistas e ocultistas,
confundindo-as com magia negra, ao passo em que se orgulham de não serem
adeptos de tais religiões. Contraditoriamente, embora conscientes de que o
livro que têm como sagrado, a Bíblia, classifique certas práticas como
pecaminosas costumeiramente estão incursos nelas, se rebelando contra o governo
do seu Deus que se impõe por seus mandamentos. Ora, esse pecado, “a rebelião”, segundo a Bíblia, “é igual à magia negra” (I Samuel.15.23).
Logo, se me orgulho de não ser um mago negro, mas sou rebelde, não tenho do que
me orgulhar, pois estou na mesma condição do bruxo negro diante de Deus. Aliás,
a mesma equivalência estabelecida entre rebelião e magia negra, se estende aos
demais mandamentos, pois “quem obedece a toda a
Lei, mas tropeça em apenas uma das suas ordenanças, torna-se culpado de
quebrá-la integralmente. Pois Aquele que proclamou: “Não adulterarás”, também ordenou: “Não
matarás”. Ora, se não adulteras, porém cometes um assassinato, te tornaste da
mesma forma, transgressor da Lei.” (Tiago.2.9-11).
O mal assume muitas formas, assim como o bem.
Quem atenta para a aparência das coisas vê sempre bem e mal da forma que
previamente estabeleceu, ficando, turva sua visão e prejudicado o seu
discernimento. Quem vê a essência percebe que muitos cultos sinceros têm sido
prestados “ao Deus desconhecido”, “nem neste monte nem em Jerusalém” (fora da
forma de religião oficialmente reconhecida como cristianismo), mas em espírito
e em verdade. Enquanto que alguns cristãos, na igreja, em nome de Deus,
praticam a mais negra das magias, usando a religião como instrumento de
propagação do ódio e da vingança travestidos de “Justiça Divina”.
Por Daniel José Batista Júnior.

Nenhum comentário:
Postar um comentário